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Transporte público: nem tanto ao céu, nem tanto à terra

O pacote de projetos visando a diminuição do valor da passagem do transporte público, encaminhado pela prefeitura, que agora ganha o devido e merecido destaque nas discussões que vão das paradas de ônibus à tribuna da Câmara de Vereadores, coloca o assunto onde ele precisa estar: na boca
de todos. Não é dessa gestão, e nem da anterior, a problemática, já conhecida como o estopim dos movimentos dos “20 centavos”. E, continuará sendo – o mesmo número de anos que nos fizeram chegar até aqui, serão os necessários para a resolução. Primeiro, pois é um ciclo que se retroalimenta. A insatisfação do usuário pela qualidade, a troca por outro modal, o tempo aumentado da viagem casa/trabalho, reduzem os passageiros pagantes que, por sua vez, numa relação direta, faz a passagem aumentar, visto que, cada vez menos usuários mantêm o sistema rodando.
Não é à toa que somente os pagantes não o sustentam. E, não é só aqui, é nas demais capitais, é no mundo (adotam fontes de financiamento diversas,
unindo governo, usuários e empresas).
Segundo, por escolhas políticas e econômicas, nosso país optou por investimentos que priorizaram o transporte privado, barateando carros e motocicletas, desonerando o setor automotivo, propiciando taxas abaixo da inflação. Enquanto isso, a passagem subiu, em 10 anos, 60%. Em 2018, segundo pesquisa do IBGE, a despesa com transporte ultrapassou a relativa à alimentação, entre as famílias. Atrás disso, só a habitação.
Gastamos mais para nos locomover do que para comer. São poucas as iniciativas de recursos extratarifários. Em São Paulo, 20% do subsídio é do município e estado, uma exceção. Já vi projetos em que as políticas sociais setoriais arcariam com as gratuidades. Por exemplo, o Fundo Nacional
da Educação para o transporte dos estudantes. E, alguém pagando a conta da gratuidade, diminui para o pagante (que hoje arca com ela).
Não haverá uma única solução, mas um conjunto de ações. E, seja qual for, precisa seguir o rumo do diálogo entre cidadão, empresas, legisladores,
em espaços de discussão (seja nas paradas de ônibus, seja no plenário).

*Publicado no Jornal do Comércio, dia 04 de março de 2020.

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