O show tem que continuar

Em cumprimento às restrições impostas pelo modelo de distanciamento e prevenção ao novo coronavírus, o setor de eventos vive momento dramático. Foi o primeiro a parar. E, dizem, será o último a voltar. Em abril, o SEBRAE apontou que 98% das empresas do segmento foram afetadas pelo cancelamento das atividades. Algumas ainda mantêm, com muito esforço, o quadro de funcionários, mas isso é minoria.

Embora muitos artistas estejam realizando e até faturando com suas lives, e algumas convenções, palestras e feiras corporativas estejam acontecendo em ambiente digital, o furo é bem mais embaixo. De um show, não depende apenas o artista. Mas sobretudo o staff. Os conteúdos de um evento empresarial você pode disseminar pelas redes sociais ou plataformas de streaming, mas nestes formatos inovadores ninguém contempla o garçom, o catering, o manobrista, o segurança, o serviço da limpeza.

Pensando nisso, nesta cadeia que emprega milhares e milhares de pessoas, entidades e empresas do setor de eventos estão buscando sensibilizar o Governo do Estado e as autoridades sanitárias através de um diálogo permanente e de protocolos rígidos a que estariam dispostas a cumprir. Entretanto, seguem à espera, numa cada vez mais preocupante realidade.

Obviamente, ninguém em sã consciência defende a retomada a pleno, sem cuidados e fiscalização. Mas algo precisa ser feito. Falta um pouco de boa vontade para que seja permitido, de forma gradual e responsável, uma retomada segura. O futebol voltou, o comércio voltou, mas o setor de eventos ainda padece de respostas. Na esperança de que milhares de empregos possam ser salvos, torço e trabalho para que encontremos uma solução. Porque como diz aquela música, o show tem que continuar.